Médico e prefeito de Uruburetama, Hilson de Paiva é denunciado por abusar de dezenas de mulheres (Foto:Reprodução)
Aumentou o número de mulheres que afirmam ter sido vítimas de abusos sexuais cometidos pelo médico José Hilson de Paiva, de 70 anos, prefeito afastado da cidade de Uruburetama, interior do Ceará. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, após as primeiras denúncias com os vídeos dos abusos, noticiado pelo G1 no dia 14 de julho, 13 mulheres compareceram às delegacias dos municípios de Cruz e Uruburetama para denunciar o médico.
Hilson de Paiva está preso desde o dia 19 de julho por determinação do juiz de Uruburetama, José Cléber Moura. O Ministério Público, que fez o pedido da prisão, defende que José Hilton é capaz de "coagir, constranger, ameaçar, corromper" e praticar atos que possam comprometer a investigação caso seja mantido livre. Ele é denunciado por abusar sexualmente de pelo menos 17 mulheres.
Depois da divulgação dos vídeos, que foram gravados pelo próprio médico, sete mulheres tiveram coragem de denunciar na delegacia de Cruz e outras seis na delegacia de Uruburetama. O médico prestou atendimentos ginecológicos durante anos nas duas cidades. Segundos as investigações, ele cometeu os abusos sob pretexto de que as ações eram procedimentos ginecológicos ´de rotina´.
Das sete denúncias feitas em Cruz em menos de duas semanas, quatro aconteceram após a última sexta-feira (19), data em que José Hilson de Paiva foi preso. Segundo uma das vítimas, após repercussão do caso na mídia e prisão do médico, ela foi encorajada por amigos a procurar as autoridades.
"Saí cedo da manhã e cheguei quase 13h em casa. Aí meu marido disse que já ia procurar a polícia pra saber o que tinha acontecido. Aí eu disse: pois era lá mesmo que você ia me encontrar. E ele disse: ´eu não acredito que você fez isso´. Fiz. Chorei muito. A delegada disse que pode me colocar em um programa de vítimas para tratamento psicológico. Ela perguntou se eu conhecia outras vítimas e eu disse que conheço sim. Sei que essa força para denunciar veio de Deus e tive incentivo de muitas pessoas. Eu estou muito abalada, mas sei que vou dar a volta por cima. Deus me dá força", contou uma das vítimas, que terá sua identidade preservada.
Trauma
A vítima recordou que teve de procurar pelo atendimento médico devido à sangramentos. Hilson teria dito que ela precisaria usar um creme e que ele a iria ajudar. "Ele disse que se eu não fizesse aquele tratamento ia gerar câncer. Eu não duvidei porque, pra mim, ele era profissional. Jamais imaginei que aquilo ia acontecer comigo", disse.
No relato a vítima informou que o médico demonstrou na prática como ela utilizaria o creme na vagina. Quando ela questionou se o esposo poderia ajudar, Paiva teria dito que não, porque ele quem era o profissional e ela teria que confiar nele.
"Ele era o meu santo médico, já tinha me ajudado muito. Até hoje eu vivo indignada e me culpando pelo uma coisa que eu não busquei informação de saber se era certa. Infelizmente, o doutor Hilson para mim virou o diabo", lembrou.
Em Cruz não havia nenhuma denúncia por crime sexual registrada contra José Hilson de Paiva. Já em Uruburetama, existia um inquérito em aberto.
No último sábado (20), na saída do Fórum da Comarca de Itarema, após ser ouvido em audiência de custódia, o prefeito declarou que não sabe explicar o motivo pelo qual gravava os vídeos com as pacientes. José Hilson afirmou que as relações, na maior parte eram consentidas e pediu "desculpas ao Brasil e ao mundo".
Por nota, a SSPDS informou que a Polícia Civil continua com o trabalho de apuração, análise do material apreendido em endereços do investigado e coleta de depoimentos de outras possíveis vítimas. Imagens dos atendimentos feitos pelo médico e que flagraram cenas das pacientes durante as consultas foram disponibilizadas para autoridades das delegacias de Cruz e de Uruburetama, para auxiliarem nas apurações acerca dos casos.
Fonte: G1 CE

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