Não há um trabalho científico para reconhecimento da face de Bárbara de Alencar (Foto: OPOVO)
Uma missão que pretendia reconhecer e construir cientificamente o rosto de Bárbara de Alencar foi abortada nesta quinta (25), após notícias falsas de que membros do Instituto Cultural do Cariri iriam retirar de Itaguá, em Campos Sales, o corpo da considerada primeira presa política do Brasil, morta em 1832.
"Era para ser uma ação discreta, já tinhas pedido a permissão do bispo e do pároco, isto que os restos mortais se encontram em uma capela", diz o professor José Luis Lira, que já participou da reconstrução facial de Maria Madalena e Santo Antônio. Um vídeo gravado por moradores que repudiavam a retirada do corpo foi amplamente compartilhado, gerando a confusão.
"Fake news", classifica o diretor do Instituto Cultural, Heitor Feitosa. A ideia era que, caso ainda houvesse o crânio de Bárbara, fosse fotografado por cerca de 40 minutos e em seguida o túmulo sr fechado, com a presença de testemunhas e autoridades. As imagens serviriam como base científica para o desenho do rosto, hoje conhecido apenas através de pinturas.
Não foi possível. A versão corrompida do que iria ocorrer em Itaguá gerou certa revolta inclusive em vereadores. Um breve debate na Câmara Municipal precisou ocorrer para que as intenções fossem esclarecidas.
Reunião na Câmara: a esquerda para direita: Dr. José Luiz Lira, vereador José Solano Feitosa, Heitor Feitosa (presidente do Instituto Cultural do Cariri) e a mestra em arqueologia Heloisa Bitu. (Foto: Heitor Feitosa )
O parlamentar José Solano Feitosa afirmou que na noite de quarta (24), foi surpreendido com o vídeo que informava de forma errônea as intenções da equipe, que na manhã seguinte chegaria em Itaguá para exumação. Uma breve conversa com a comissão e o caso foi esclarecido.
Antes de se aproximar do local onde Bárbara estaria sepultada, o professor Luis Lira desistiu da ação. Disse que em anos de prática nunca tinha passado por situação parecida, e que não havia mais interesse. Ele não cobrou pelo trabalho, iria fazê-lo por ter conhecido em vida Violeta Arrais, aparentada de Bárbara.
O repórter da Rede Globo Francisco José, conhecido pelas reportagens no noticioso dominical Fantástico e Globo Repórter às sextas, também saiu frustrado. Chico José dirigiu o próprio carro de pernambuco ao Cariri para acompanhar de perto o momento histórico.
A retirada dos restos mortais não deverá ocorrer em outro momento. Com viagem marcada ao Vaticano, o professor Luis diz que caso haja interesse do Poder Público, poderá avaliar, no futuro, a possibilidade de voltar em Itaguá e, não mais de forma voluntária, realizar o trabalho.
Por enquanto, após um desencontro de desinformações, o rosto de Bárbara de Alencar, a heroína da Revolução pernambucana, permanece apenas no imaginário.
Por Felipe Azevedo/Agência Miséria
Miséria.com.br

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