Policiais militares acusados de torturar adolescente são afastados pela Justiça | Araripe News

Policiais militares acusados de torturar adolescente são afastados pela Justiça


Um vídeo mostrou toda a ação dos policias militares (Foto: Reprodução/ Diário do Nordeste)

Quatro policiais militares suspeitos de torturar um adolescente em agosto do ano passado 
foram afastados das funções pelo Juízo da Auditoria Militar da Comarca de Fortaleza, 
após a denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). A decisão foi 
divulgada na manhã desta quarta-feira (27).

Conforme o Procedimento Investigatório Criminal, instaurado pelo órgão ministerial, os 
policiais foram acusados pela suposta prática delitiva de tortura comissiva e omissão
 perante tortura.

A reportagem do Sistema Verdes Mares tentou contato com a defesa dos acusados, 
o tenente Leonardo Jader Gonçalves Lírio, os cabos Jean Claude Rosa dos Santos e 
Carlos Henrique dos Santos Uchoa, e o 3º sargento José Alexandre Sousa da Costa, 
mas não obteve resposta até a publicação dessa matéria.

Para o juiz responsável pelo caso a medida é necessária em razão da função de 
comando 
do tenente Leonardo e da iniciativa das alegadas agressões. Os demais policiais 
denunciados foram afastados das funções policiais de caráter ostensivo.

Caso

No dia 28 de agosto, os policiais estavam no terreno baldio, no bairro Bela Vista, em 
Fortaleza, em busca de drogas e armas escondidas, pertencentes a organizações 
criminosas. Na ocasião, foram encontradas 500 gramas de crack, e seis pessoas foram 
presas.

Os atos de violência foram filmados e divulgados em redes sociais. A ação repercutiu 
entre a população e dividiu opiniões quanto à postura dos oficiais. Nas imagens, dois 
agentes de segurança participam diretamente da ação, enquanto um vigia a violência, 
e pelo menos outros dois realizam buscas no terreno baldio, enquanto o adolescente se 
rebate no chão.

"Quando a operação finalizou e em razão das agressões sofridas pelo jovem, ao invés 
dos policiais realizarem o devido procedimento de apresentação do adolescente à 
Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), os militares liberaram-no, entregando-o 
aos cuidados da mãe", completou o MPCE.

Na filmagem, o tenente Leonardo Lírio aparece agredindo um adolescente de 15 anos 
com socos. Com a ajuda do cabo Jean Claude, o militar continuou a realizar atos de 
tortura física e psicológica, com a simulação de afogamento, técnica conhecida como 
“saco d’água”, a fim de coletar informações sobre o paradeiro de drogas, armas e 
integrantes de facções.

O secretário da Segurança Pública e Defesa Social, André Costa, se pronunciou na 
época, afirmando que a atitude dos servidores públicos "não é a orientação". O titular da 
SSPDS completou que “cabe apenas permitir e não interferir nas investigações. 
E garantir que o trabalho possa ser feito com isenção, imparcialidade, rigor e sempre 
respeitando os direitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa", completou.




Por Diário do Nordeste
Miséria.com.br

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